Winds of change
Os dias passavam, iam passando meses a fio e anos já rolaram sem um fim à vista.
A dependência de uns e outros estava a tornar-se insuportável, a incerteza de ter ou não o apoio de pessoas para fazer os trabalhos, corroia-me por dentro.
Estava desmotivado e com a noção de que iria continuar a gastar dinheiro sem a garantia que ia ficar um trabalho final de acordo com o esperado, por muito que fosse falado, acordado e orcamentado.
Como que um namoro que termina, este episódio de reconstrução total para mim também terminou no início do ano.
É evidente que restaurar um carro de ponta-a-ponta não dá para mim. Tudo menos trabalho de chapa profundo e carros betumados. Chega.
O projecto está para venda.
Tudo isto para realizar dinheiro e procurar um 1275GT original e desta vez de '73 ou '74 sem mais opções!
Ainda nem eu tinha muito bem a noção dos valores que ia vender, aparece um anúncio de um 1275GT de 1973, dito como original, em bom estado com IPO de Novembro.
Melhor ainda, aqui bem perto.
Foi mais forte que eu...tive de combinar e ver o carro.
Primeiro impacto: carro branco
Uiii.... outro carro branco? Já me bastava o Corsa...(10 segundos depois...) hummm....jantes Rostyle originais e tal...isto com o tejadilho preto e as minhas cosmic é capaz de ficar porreiro!
Abro a porta...elah?! interiores todos originais? Volante também? epá isto promete... vamos lá ver se há aqui marosca e isto é um carro martelado...
Capot aberto, sim sr motor de origem, números batem certo com ano e acessórios. está cá o servo-freio como manda a lei, alternador, carburador HS4 com caixa de filtro.
Bom, so far so good. Vejamos na mala.
Os suportes do tampo interior 'tão cá, bate certo. Mas será possível? Ainda tem o tampo de origem? Deposito de gasolina dos pequenos, jante suplente rostyle. Tudo a bater certo.
Recuso-me ainda a aceitar o "achado".
Ora vamos então lá ver como é que isto está...de chapa!!!! Saco do íman (????) e vou apalpando o carro nos pontos críticos.
Ha ah!!! Um ponto podre!! Haaaa...não...não tem nada. Umas ferrugens superficiais de uma pintura com muitos anos mas tudo sólido e sem betumes.
Querem ver que isto é o carro que eu quero e eu ainda nem vendi o outro? Tá visto que vou ter de encontrar um defeito grave para justificar a mim próprio que não vou comprar e já vou de consciência tranquila.
Para mal dos meus pecados não encontrei.
Em suma, um 1275GT branco de 1973, original ainda com factura de compra (????), manual de fábrica e de utilizador, livro de revisões da fábrica.
Depois de ver o carro e enquanto ouvia o dono, a minha história de "minis" passou-me toda no cérebro.
Desde 2002 quando estive no autodromo do estoril com 500 minis, quando comprei o meu primeiro mini, os negócios que perdi de outros GT's, dos que comprei, das frustrações do restauro e da relação amorosa que perdi até...
Vi o carro, pensei no que ele ainda precisa de material VS o que eu já tinha para montar no outro, soma-se uma pintura para ficar novo, fiz contas de cabeça e disse : Fazemos negócio.
Já não há mais stress dos batechapas, dos betumes por todo o lado, de andar ilegal com jantes 10 por ser de 1975, de não ter os bancos da frente originais, de estar dependente da ajuda de "x" ou de "y" para montar o carro comigo...
Gastei mais uma boa nota? Sim gastei, mas ganhei anos de vida e finalmente posso conduzir um Mini. Desde 2003 que a isso me neguei quando desmontei o carro.
Assim se vira uma página!